26 de setembro de 2015

Análise dos Livros da Bíblia - Mateus


Mateus

AUTOR
Mateus (também chamado Levi), um dos doze apóstolos, Mc 2.14. Foi sem dúvida um judeu que também era publicano romano, Mt 10.3

Quando foi chamado por Jesus, deixou tudo e o seguiu, Lc 5.27-28. Preparou um grande banquete para Cristo, ao qual este assistiu, apesar de os publicanos serem desprezados, Lc 5.29.

DESTINATÁRIOS
Principalmente os judeus. Este ponto de vista está confirmado pelas referências às profecias hebraicas, cerca de sessenta, e pelas aproximadamente quarenta citações do Antigo Testamento. Ressalta especialmente a missão de Cristo aos judeus, Mt 10.5-6; 15.24.

PALAVRAS CHAVES
Cumprimento, repetida com frequência para indicar que as profecias do Antigo Testamento se cumpriram em Cristo. 
Reino, aparece cinquenta vezes, e reino dos céus trinta vezes. Jesus como rei, 2.2; 21.5; 22.11; 25.34; 27.11, 37, 42.

PROPÓSITO APARENTE
Mostrar que Jesus de Nazaré era Rei Messias da profecia hebraica.

PARTICULARIDADES
I - A genealogia completa de Cristo, 1.1-17;

II - Incidentes e discursos encontrados somente neste evangelho;
a) Cap. 2, a visita dos magos, v.1. A fuga para o Egito. vv. 13-14. A matança dos meninos, v. 16. A volta a Nazaré, vv. 19-23;
b) Cap.3, os fariseus e os saduceus vêm a João Batista, v. 7;
c) Caps. 5-7, o Sermão do Monte (completo);
d) Mt 11.28, "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados";
e) Mt 14.28-31, Pedro caminha sobre a água;
f) Cap. 23, denuncia aos fariseus em um longo discurso;
g) Mt 26.15, as trinta peças de prata aceitas por Judas;
h) Cap. 27, a devolução das trinta peças de prata, vv. 3-10. O sonho da esposa de Pilatos, v. 19. Aparição dos santos ressuscitados, v. 52. A guarda no túmulo, vv. 64-66; e
i) Cap. 28, o suborno dos soldados, vv. 12-13.

III ) Milagres encontrados somente no livro de Mateus;
a) A cura dos dois cegos, 9.28-30; e
b) O dinheiro do tributo, 17.24-27.

IV) Parábolas encontradas somente em Mateus;
a) Cap. 13, o joio, v. 24; o tesouro escondido, v. 44;
b) Cap. 18, O credor incompassivo, v. 23;
c) Cap. 20, os trabalhadores da vinha, vv. 1-16;
d) Cap. 21, os dois filhos, vv. 28-32;
e) Cap. 22, as bodas do filho do rei, vv. 1-14; e
f) Cap. 25, as dez virgens, vv. 1-13. Os talentos, vv. 14-30. As ovelhas e os bodes, vv. 31-46.

ANÁLISE
Do ponto de vista do reino de Cristo
O Rei. A história do Rei Messias. 
  • Linhagem e nascimento, cap. 1;
  • Sua busca, cap. 2.2;
  • Sua adoração, cap. 2.11;
  • Seu anúncio, cap. 3.1-12;
  • Sua vitória espiritual, cap. 4.1-11;
  • Sua proclamação, cap. 4.17;
  • A chamada de seus seguidores, cap. 4.18-22;
  • Suas leis e mandamentos, caps. 5-7;
  • Sua palavras e obras, caps. 8-12;
  • Suas parábolas, cap. 13;
  • O assasínio de seu precursor, cap. 14.1-12;
  • Seu poder sobre as forças da natureza e sobre a doença, cap. 14.14-36; 15.32-39;
  • Sua revelação da insensibilidade do homem e de seus sofrimentos e glória futuros, caps. 16-17;
  • Sua instrução acerca dos princípios do reino, caps. 18-20;
  • Sua entrada triunfal na capital, sua rejeição, parábolas e profecias, cap. 21.1-22;
  • Sua capacidade de frustrar os complôs dos fariseus e dos saduceus, cap. 22.15-46;
  • Sua denúncia contra os líderes, cap. 23;
  • Suas profecias e parábolas relacionadas com o futuro, caps. 24-25;
  • Eventos que levarão à sua traição, cap. 26.1-46;
  • Seu juízo, cap. 26.57-75; 27.1-31;
  • Sua crucificação, cap. 27.31-50;
  • Os eventos que se seguirão imediatamente à sua morte, cap. 27.51-56; e
  • Sua reaparição na terra, e sua comissão aos seus seguidores, cap. 28.
Fonte: Bíblia de Referência Thompson

25 de setembro de 2015

Artigos: Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos - Descobrindo a Plenitude dos Mandamentos de Deus

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10º - Não cobiçarás

Muitos indivíduos são como o jovem rico ao ouvir Jesus dizer: “Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 19.18-19). Eles, do mesmo modo, prontamente respondem: “Tudo isso tenho observado” (v. 20). Uma pessoa pode argumentar que nunca matou, adulterou ou furtou – por mais inverídica que seja essa reivindicação. Contudo, nenhuma pessoa em sã consciência diria que jamais cobiçou.

O último dos Dez Mandamentos, “Não cobiçarás”, se distingue dos demais. Nessas poucas palavras, o próprio coração da lei de Deus nos é apresentado. A lei de Deus não se preocupa apenas com nossas ações. “Não cobiçarás” anuncia sem reservas que os nossos pensamentos, sentimentos e inclinações – questões do coração – têm grande importância para o Senhor.

O pecado que ele confronta é um companheiro nosso muito familiar. Ele vem à tona quando ouvimos da promoção de um colega de trabalho, quando vemos um carro novo na garagem ao lado ou quando refletimos sobre aquela família aparentemente perfeita na igreja. Esse inimigo ergue sua cabeça maligna num instante. Não precisamos procurar por ele ou ser ensinados nele. Em vez disso, ele vem naturalmente. E, embora esse pecado seja um familiar conhecido, ele não é nenhum amigo. É um adversário oportunista e mortal que captura o coração, altera as afeições, ocupa a mente e destrói uma vida. Onde há paz, ele traz hostilidade; onde há amor, ele suscita divisão; e onde há contentamento, ele gera reclamação.

Por que a cobiça é tão mortal? Porque ela nunca pode ser satisfeita. A cobiça implacavelmente anseia por mais deste mundo e alguém cujos pensamentos, afeições e coração se ocupem do mundo deixará de buscar os céus. A cobiça leva ao abandono do amor por Deus e leva o indivíduo a odiar o seu próximo. Ela empurra o coração no poço dos interesses egoístas e no atoleiro e no lamaçal da inveja, da calúnia, do adultério, do orgulho, da desonra, do homicídio, do furto e da idolatria. Tem-se dito corretamente que, quando quebramos qualquer dos primeiros nove mandamentos, também quebramos o décimo mandamento.

Como combatemos esse pecado do coração? Deixe-me oferecer três simples encorajamentos bíblicos: olhe para Cristo, viva em contentamento e regozige-se em gratidão.

Primeiro, olhe para Cristo e as coisas do alto. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”, disse o Senhor (Mateus 6.33). Quanto mais valorizamos Cristo, menos atribuímos valor imoderado às coisas terrenas. Quanto mais desejamos Cristo, menos ansiamos pelas coisas deste mundo. Honra, riqueza, possessões materiais, reputação, sucesso mundano e até saúde possuem pouco brilho quando comparados à radiante glória de Deus na pessoa de Cristo (Hebreus 1.3). Quando o buscamos, descobrimos que os tesouros terrenos sustentam prazeres transitórios, mas a alegria em Cristo é eterna (Salmo 103.17). Eles possuem promessas vazias, mas as promessas de Cristo são seguras. Eles oferecem conforto, mas Cristo o garante (Mateus 11.28-30). Seguir a Cristo é um empreendimento diferente de todos os outros, pois ele nunca desaponta. A sua beleza, amabilidade, conforto, paz e alegria ultrapassam tudo o que este mundo tem a oferecer.

Segundo, se desejamos que a cobiça não tenha nenhuma influência em nossas vidas, devemos também buscar viver em contentamento. Contentamento não é algo que corremos para alcançar, mas algo em que descansamos. O apóstolo Paulo disse: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4.11b). Ele disse a Timóteo: “Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1 Timóteo 6.6). Paulo cria em um Deus soberano que governa os céus e a terra, bem como confiava nele. Ele sabia que a providência de Deus proveria para as suas necessidades. O que quer que ele possuísse era suficiente, então ele podia descansar contente. Se Deus achasse que seria bom para nós ter mais, ele nos daria mais. Cada cristão corretamente busca manter essa mentalidade. E, quando esse é o caso, que alegria o contentamento traz à vida cristã! Contentamento é uma daquelas joias raras; uma vez encontrada e entesourada, preenche a alma de deleite.

Por fim, talvez a maior força que possamos reunir contra a cobiça seja nos regozijarmos em gratidão. A gratidão leva a vida cristã para longe da perigosa areia movediça do descontentamento. É difícil estar contente em todas as circunstâncias se a gratidão não habita em nossos corações. O apóstolo Paulo nos exorta, mesmo quando estamos lutando com a ansiedade, a “[tornarmos] conhecidas, diante de Deus, as [nossas] petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Filipenses 4.6). Nós desejamos agradecer a Deus por aquilo que temos recebido e aquilo que ele deu. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto” (Tiago 1.17). Portanto, nós não apenas nos alegramos naquilo que pessoalmente recebemos, mas também nas boas dádivas que o Senhor concedeu a outros. Nós e os outros não desfrutamos desses dons por mera coincidência. Com isto nós podemos nos regozijar em gratidão.

Amado cristão, olhe para Cristo, viva em contentamento e alegre-se em gratidão e mande a cobiça para longe do seu coração e da sua vida. Ela é um inimigo mortal com o qual não se deve brincar. Em vez disso, vivamos em amor por Deus e pelo próximo – ajuntando os nossos tesouros lá nos céus.

24 de setembro de 2015

Livros - Manual de Teologia Sistemática Wayne Grudem



Atual, Clara, Honesta, Abrangente e Relevante,

Assim é a Teologia Sistemática de Wayne Grudem. Não se trata de apenas um manual de teologia sistemática, mas de uma obra de referência na mais completa acepção do termo. Aqui você vai encontrar um tratamento sério e franco de questões como:

  • Batalha espiritual;
  • O papel da mulher na liderança da igreja (não deixando de fora a discussão sobre o pastorado feminino);
  • Quem são e que fazem os anjos;
  • Dons espirituais na igreja (incluindo dons como cura, profecia e outros superestimados ou desvalorizados pelas igrejas de hoje); e
  • A criação do mundo (ou seria mesmo evolução?).
Além dessas questões, encontrará também todos os temas clássicos de uma sistemática. O texto é claro, leve, comunicativo e isento de termos técnicos desnecessário.

OBS: O arquivo está em word!

http://upload.leituragospel.com.br/download.php?file=66177

15 de setembro de 2015

Personagens Bíblicos - José

Esboços Biográficos de Personagens Preeminentes da Bíblia

José
O jovem cujos sonhos converteram-se em realidade

I - Seus primeiros anos
  1. Era filho de Jacó e de Raquel, Gn 30.22-24;
  2. Era o filho preferido de seu pai, Gn 37.3;
  3. Devido à parcialidade paterna, é odiado por seus irmãos, Gn 27.3-11;
  4. Seus sonhos, Gn 37.5-10; e
  5. Vendido ao Egito, Gn 37.12-28
II - Sua vida em terra estranha, Gn 39.1-50

III - Sete passos para a honradez
  1. Influência piedosa, Gn 39.2-3;
  2. Honradez nos negócios, Gn 39.5-6;
  3. Resistência à tentação, Gn 39.7-9;
  4. Graça divina, Gn 39.21;
  5. Circunstâncias providenciais, Gn 40.5-8;
  6. Honra a Deus, Gn 41.16; e
  7. Revelações divinas, Gn 41.25-36
IV - Mostra um espírito similar ao de Cristo
  1. Ao perdoar o pecado de seus irmãos, Gn 45.15;
  2. Em sua devoção filial, Gn 46.29; e
  3. Ao retribuir o mal com o bem, Gn 50.19-21
Fonte: Bíblia de Referência Thopmson

14 de setembro de 2015

Artigos: Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos - Descobrindo a Plenitude dos Mandamentos de Deus

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9º - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo

“Que é a verdade?” A pergunta de Pilatos refletia mais um saturado ceticismo para com a própria idéia de verdade do que uma séria indagação filosófica. Quão trágico é que um homem incumbido de assuntos de vida e morte expresse uma atitude tão cínica. E quão diferente deve ser a atitude dos cristãos, os quais Jesus descreveu como aqueles que são “da verdade” (João 18.37). 

O supremo valor da verdade é evidenciado pela presença do nono mandamento no Decálogo: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo 20.16). O mandamento está mais imediatamente preocupado com a veracidade no contexto judicial. Deuteronômio 19.15-21 dá instruções sobre o testemunho em processos criminais. Uma única testemunha é insuficiente para lastrear uma acusação; deve haver duas ou três testemunhas (Deuteronômio 17.6; ver também Mateus 18.16; 2 Coríntios 13.1; 1 Timóteo 5.19). Se houver qualquer dúvida acerca da integridade de uma testemunha, os juízes devem “inquirir com diligência” e, se for descoberto ser ela uma “falsa testemunha” (no hebraico, eid-shek-er – o mesmo termo usado em Êxodo 20.16), ela deve receber a mesma pena que seria aplicada ao acusado. Assim, o perjúrio acarretava a máxima pena capital sob a lei mosaica.

Uma das razões para a proibição do falso testemunho é que a justiça pressupõe a verdade. Se a justiça há de ser realizada em uma corte judicial, todos os fatos relevantes ao caso devem ser conhecidos, o que pressupõe que as testemunhas falem “a verdade, toda a verdade e nada além da verdade”. Justiça significa que o acusado tem direito à verdade, independentemente de sua culpa ou inocência. O oitavo e o nono mandamentos estão intimamente ligados: dizer falso testemunho é uma forma de furto; é reter o que é licitamente devido a alguém. Um princípio semelhante se aplica à difamação: causar dano à reputação de alguém é furtar-lhe uma preciosa possessão (Provérbios 22.1; Eclesiastes 7.1).

Obviamente, o nono mandamento não se restringe aos tribunais de justiça. Como o restante da Escritura torna abundantemente claro, dizer a verdade é um dever moral fundamental e ser honesto é uma virtude moral básica. Os justos são caracterizados pela veracidade – com efeito, eles “amam a verdade” (Zacarias 8.19) –, ao passo que os ímpios têm “lábios mentirosos” (Salmo 31.18; 120.2; Provérbios 10.18; 12.22; ver também Salmo 101.7; Provérbios 12.17; Jeremias 9.5; Oséias 4.1-2). Uma das maneiras pelas quais amamos o nosso próximo é falando-lhe a verdade (Efésios 4.15, 25).

Por que dizer a verdade é tão importante? Como sempre ocorre na ética cristã, a resposta é fundamentalmente teológica. Deus é “o Deus da verdade” (Isaías 65.16). A verdade é um atributo essencial de Deus e da sua Palavra (João 4.23-24; 14.17; 15.26; 16.13; 17.17; 2 Timóteo 2.15; Tito 1.2; 1 João 4.6; 5.6). Em contrates, mentir reflete o caráter de Satanás e daqueles que o seguem (João 8.44; 1 Timóteo 1.10; 1 João 2.22; Apocalipse 21.8). Uma vez que somos criados à imagem de Deus, planejados para refletir o seu caráter, devemos falar a verdade assim como Deus fala a verdade. O nono mandamento, não menos do que o sexto, se sustenta na doutrina da imago Dei.

Embora a maioria dos Dez Mandamentos seja apresentada de forma negativa (“Não…”), cada um tem tanto uma aplicação positiva quanto uma negativa; cada um contém um “faça” assim como um “não faça”. Guardar o nono mandamento não é meramente uma questão de evitar afirmações falsas. Como reconhece o Breve Catecismo de Westminster na P&R 77, o mandamento também exige que ativamente busquemos e promovamos a verdade em todas as nossas tratativas com os outros.

Promover a verdade envolve muito mais do que simplesmente fazer afirmações verdadeiras. É perfeitamente possível enganar alguém sem lhe dizer uma única falsidade. Se eu escrevesse um relatório sobre alguém e enfatizasse suas imperfeições e falhas, enquanto ignorasse quaisquer pontos de valor ou virtude, cada frase no relatório poderia muito bem ser verdadeira, mas, considerado no todo, ele não promoveria a verdade. Promover a verdade significa dar uma descrição globalmente justa e acurada de como as coisas de fato são – mesmo quando isso vai contra os nossos próprios interesses. Semelhantemente, nós devemos falar a verdade com um grau apropriado de exatidão, nunca nos amparando em vaguezas, ambigüidades ou subterfúgios para obscurecer a verdade por motivos egoístas ou para fugir da responsabilidade por nossas palavras. Em suma, promover a verdade significa amar a verdade – não por causa dela mesma, meramente, mas movidos por um sincero amor por Deus e pelo próximo.

Numa época em que a confiança em figuras públicas está em crescente declínio, em que os meios de comunicação borram a linha entre notícia e publicidade, em que o termo spin se tornou lugar-comum[1] e em que o pós-modernismo erodiu o próprio conceito de verdade, é imperativo que os cristãos se coloquem à parte da cultura ao redor, como um povo marcado pela honestidade, integridade e fidelidade. Devemos ser pessoas de palavra, precisamente porque somos o povo da Palavra.

“Que é a verdade?” é uma questão filosófica importante, a despeito do cinismo de Pilatos. Mas uma questão ainda mais importante pode ser feita: “Quem é a verdade?”. O homem que estava perante Pilatos já havia dado a sua resposta (João 14.6). Se nós invocamos o nome de Cristo, nossas tratativas tanto com crentes como com incrédulos devem corroborar a nossa confissão. Apenas se formos conhecidos por dar testemunho verdadeiro é que poderemos fielmente dar testemunho da Verdade.

[1] N.T.: Em relações públicas, spin é uma forma de propaganda, realizada por meio de uma interpretação enviesada de um evento, o que pode incluir o uso de táticas maliciosas, enganosas e altamente manipulativas.

11 de setembro de 2015

Artigos: Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos - Descobrindo a Plenitude dos Mandamentos de Deus

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8º - Não Furtarás

Um dos livros menos conhecidos de John Bunyan é intitulado Vida e morte do Sr. Homem-mau.[1] Nele, Bunyan narra a história de um indivíduo que era “completamente corrupto” desde a sua mocidade. Mesmo em sua infância, ele era o “cabeça dos pecadores” entre as demais crianças. Ele era muito dado a furtar, começando com pequenos atos como roubar frutas de pomares. Contudo, pecadilhos não confrontados inevitavelmente crescem mais e mais. Assim foi com o Sr. Homem-mau.

Depois de algum tempo, o Sr. Homem-mau decidiu que queria uma esposa, ou, mais especificamente, o dinheiro dela. Seguindo os perversos conselhos de seus companheiros ímpios, ele simulou religiosidade e conquistou a mão de uma donzela piedosa e rica. Credores prontamente vieram a ele em busca do dinheiro do casal. Com o dinheiro de sua esposa piedosa, ele lhes pagou o valor dos bens que prodigamente adquirira para os seus amores ilícitos. Sua esposa morreu de coração partido, porém descansando em Cristo, seu Salvador. Contudo, o Sr. Homem-mau continuou descendo pelo caminho da destruição.

O oitavo mandamento – “Não furtarás” (Êxodo 20.15) – parece direto na superfície. A maioria das pessoas confiantemente declara: “Eu jamais roubei um banco, logo, sou bom nesse particular”. Contudo, a Palavra inspirada do Deus que conhece a profundidade de nossos corações pecaminosos pinta um quadro muito mais amplo do que é proibido e requerido nesse mandamento. Foi esse o discernimento dos pastores e teólogos de Westminster, os quais conheciam as habilidades de seus corações manchados pelo pecado.

A base desse mandamento é o direito divino de propriedade: o fato de o Criador haver “de tal modo constituído o homem, que ele deseja e necessita do direito à exclusiva posse e gozo de certas coisas. […] [Essa] é a única segurança para o indivíduo e para a sociedade” (Charles Hodge). Assim, o mandamento nos proíbe de tomar injustamente qualquer coisa que não seja propriamente nossa. O furto pode assumir muitas formas, incluindo o roubo (Marcos 10.19), o seqüestro (Êxodo 21.16), o tráfico de seres humanos (1 Timóteo 1.10), a receptação de coisas furtadas (Provérbios 29.24), as transações fraudulentas (1 Timóteo 3.8), o uso de pesos e medidas falsos (Provérbios 20.10), a violação dos marcos de propriedade (Deuteronômio 19.14), a injustiça nos contratos (Deuteronômio 24.15), a extorsão (Salmo 62.10), os contratos de empréstimo imorais (Salmo 37.21), o tomar emprestado e não devolver (Êxodo 22.14), o ingresso em demandas forenses injustas (1 Coríntios 6.7), o plágio e assim por diante (ver Catecismo Maior de Westminster, P&R 142). O furto envolve não apenas a propriedade tangível, mas também reputações e idéias. Nossos tempos modernos e tecnologicamente avançados trouxeram à tona inúmeros modos de o coração pecaminoso e maquinador obter aquilo que não é seu por direito.

Na grande cidade de Éfeso, Paulo ministrou por três anos em sua terceira jornada missionária. Ele passou dois daqueles anos na escola de Tirano (Atos 19.9-10). Depois de ensinar durante o dia e passar tempo com seus pupilos, Paulo provavelmente se ocupava em seu ofício de fazer tendas, no amanhecer e no entardecer. Não surpreende, portanto, que ele diga na epístola aos Efésios: “Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade” (Efésios 4.28). Em síntese, ele condena o furto e recomenda o trabalho diligente.

Isso naturalmente nos leva a considerar os deveres requeridos no oitavo mandamento, isto é, “a lícita obtenção e aumento das riquezas e do estado exterior, tanto nosso como do nosso próximo” (Breve Catecismo de Westminster, P&R 74). Nós recebemos a oportunidade e o privilégio de trabalhar, a fim de encontrarmos satisfação e realização no trabalho, de modo que possamos licitamente sustentar a nós mesmos e nossa família, assim como estar aptos a aliviar, de modo caridoso e generoso, as necessidades legítimas de outros. Desse modo, o nosso trabalho deve ser feito com diligência e alegria, pela percepção de que, em última instância, estamos servindo ao Senhor e Cristo (Colossenses 3.23-24). Paulo disse com franqueza aos crentes de Tessalônica: “Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3.10). Ele falou isso como ummandamento (vv. 10, 12), não uma sugestão. Quando o final do dia chega, depois de havermos labutado com diligência e honestidade (e alegria) e colhido o fruto de nossos esforços, precisamos reconhecer que tudo o que temos vem da mão bondosa e graciosa de Deus. Ele escolheu nos abençoar e aquilo que recebemos dele não nos foi dado para desperdiçarmos, abusarmos ou perdermos. “O que é negligente na sua obra é também irmão do desperdiçador” (Provérbios 18.9, ACF).

O que aconteceu com o Sr. Homem-mau afinal? Ele chegou ao fim de sua vida enfermo em seu corpo e tão desesperadamente perdido quanto o ladrão impenitente do Calvário. A fim de não pensarmos presunçosamente que não somos semelhantes a ele em seu caminho de roubo, precisamos ser lembrados de que somos todos violadores da lei. Nossos primeiros pais furtaram da árvore proibida e todos os seus descendentes têm sido ladrões desde então. Os ladrões de todos os demais violadores da lei de Deus precisam ser lavados, santificados e justificados por intervenção divina (1 Coríntios 6.10-11). Contudo, o fato de vivermos como pecadores perdoados que foram lavados no sangue de Cristo não nos isenta da tentação de furtar. Precisamos vigiar atenta e constantemente os nossos corações e estar cônscios das sutilezas do pecado e da ardileza do tentador. Sendo assim, que lutemos para viver de modo irrepreensível, de modo a não levantar em ninguém a menor suspeita de que sejamos parentes do Sr. Homem-mau.

5 de setembro de 2015

Personagens Bíblicos - Jacó

Esboços Biográficos de Personagens Preeminentes da Bíblia

Jacó
O enganador, é transformado em Israel, o príncipe de Deus.

Nenhuma outra personagem da Bíblia representa mais claramente que Jacó, o conflito entre os baixos e altos da natureza humana.

Começamos numa descendente, às vezes alcançava grandes alturas, porém outras vezes afundava-se na sórdida luta pela ganância. Mas, alcançava por fim o nível da fé triunfante.
Nenhum leitor fervoroso, que estuda a história do curso da vida deste homem pode duvidar que, apesar de todas as suas debilidades, foi um instrumento escolhido por Deus.

PENSAMENTOS CHAVE
Duas verdades principais iluminam sua vida.

  1. A infelicidade produzida por problemas familiares e a poligamia; e
  2. O poder transformador da comunhão com Deus.
Esta verdade brilha claramente através de todas as experiências mais elevadas deste homem escolhido. O diagrama de sua vida espiritual ilustra os elementos humanos e divinos manifestados em sua vida. A linha curva marca os níveis altos e baixos de sua vida.

I - Seus primeiros anos
Descida, problemas domésticos.
NOTA: As letras referem-se aos pontos no diagrama

A - Compra de seu irmão Esaú  os direitos de primogenitura, Gn 25.29-34;
B - Engana a seu idoso pai, Gn 27.1-29;
C - Vê-se forçado a fugir para salvar a vida, Vai a Padã-Arã a fim de escolher sua esposa, Gn 27.41; 28.1-5;

Uma experiência noturna em nível alto.
D - A visão espiritual e o voto em Betel, Gn 28.10-22;

II - Em Harã, os problemas familiares continuam.
E - Decepção no romance devido ao engano, Gn 29.15-30;
F - A grande e sórdida luta com seu sogro e o ciúme entre esposas; 
G - Movimento ascendente, o chamado divino para regressar à terra prometida. Gn 31.3. Parte em segredo, mas seu sogro o persegue, 31;
H - Em seu caminho de obediência encontra-se com mensageiros angelicais, Gn 31.1-2;

Outra grande experiência espiritual
I - Alarmado pela aproximação de seu irmão com quatrocentos homens, recorre à oração, Gn 32.3-12;
J - Passa uma noite lutando com Deus, em súplica desesperada. Sai vitorioso e recebe novo nome, Israel, Gn 32.24-32. Tem um encontro afetuoso com seu irmão Esaú, Gn. 33.1-16;
K - Sua filha Dina é desonrada, Gn 34.1-5;
L - Devido à vingança de seus filhos, vêm dificuldades sobre ele, Gn 34.7-31;
M - Quando chega em Betel, lembra de sua visão ali e erige um altar, Gn 35.1-15;

III - Seus últimos anos. Os problemas domésticos continuam.
N - A parcialidade paterna e os ciúmes dos irmãos fazem com que José seja vendido ao Egito, Gn 37.1-36;
O - Outros problemas familiares, Gn 38.1-30; 
P - O êxito de José e seu chamado divino ao Egito, Gn 39 a 45; 46.1-4;

Seu últimos dias
Q - À beira da morte, bendiz seus netos e filhos, GN 48-49; e
R - Muitos creêm que ele profetizou a vinda do Messias, GN 49.10



Fonte: Bíblia de Referência Thompson

4 de setembro de 2015

Artigos: Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos - Descobrindo a Plenitude dos Mandamentos de Deus

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7º - Não Adulterarás


O Breve Catecismo de Westminster afirma que o sétimo mandamento “exige a conservação da nossa própria castidade e da do nosso próximo, no coração, nas palavras e no comportamento” (P&R 71). Dito de outro modo, o sétimo mandamento nos chama a mais do que a mera abstenção da atividade sexual fora da união em uma só carne que é o casamento. Também nos chama à pureza sexual no pensamento e nas palavras.

À medida que certas expressões da sexualidade – outrora consideradas tabu – se tornam comuns e à medida que colegas, amigos e até membros da família compartilham notícias de um divórcio sem investigação de culpa,[1] de um relacionamento homossexual ou de uma união estável, mais e mais cristãos – especialmente quando amizades e laços familiares estão em jogo – se sentem impelidos a simpatizar em vez de condenar, a apoiar em vez de se afastar, de afirmar em vez de rejeitar. Contudo, ainda pesa sobre nós a obrigação de lutar com o texto bíblico.

Jesus afirma que, desde o princípio, Deus “os fez homem e mulher […], tornando-se os dois uma só carne”. Alguém qualificado para o presbitério deve ou ser solteiro e casto ou um homem de uma só mulher – o “marido de uma só esposa”. Jesus restaura a dignidade de uma mulher pega em adultério, mas também lhe diz que ela precisa parar de adulterar (João 7.53-8.11). Ele chama os escribas e fariseus para uma aplicação mais profunda e verdadeira do princípio da castidade. Até a luxúria – o ato de fantasiar com mulheres em geral em vez de desejar pactualmente uma mulher em particular – vem de uma imaginação adúltera (Mateus 5.27-30).

Com a pornografia, a cultura do “ficar” e expressões não convencionais da sexualidade se tornando comuns, o clássico ensinamento bíblico está se tornando menos popular em nossos tempos modernos. Contudo, se a verdadeira relevância da Escritura está no fato de que a Escritura não demonstra nenhum interesse em ser relevante – isto é, ela não demonstra nenhum interesse em ser adaptada, revisada ou censurada apenas para acompanhar as novidades do dia –, então a questão sexual é uma com a qual os crentes sinceros devem lidar. Devemos permanecer comprometidos em ser contraculturais sempre que a cultura e a verdade estiverem em conflito uma com a outra. Isso, somente isso, é o que tornará os cristãos verdadeiramente relevantes na cultura.

Jesus, que permaneceu um homem solteiro e celibatário por toda a vida, aprovou o sexo na relação marital entre homem e mulher. Ele inventou o sexo. Sexo não é proibido. Não é tabu. É uma dádiva, um convite ao marido e à mulher para que desfrutem do Éden juntos – nus e sem vergonha, íntimos e abraçados, expostos e não rejeitados. Provérbios convida o marido a encontrar satisfação nos seios da sua esposa. Cantares de Salomão retrata um marido e sua mulher admirando-se e ousadamente desfrutando o corpo nu um do outro. Paulo, também solteiro e celibatário, diz que, exceto para curtos períodos de oração, um marido e uma esposa fisicamente sãos devem entregar-se um ao outro sexualmente. A história culminará na consumação entre Jesus e sua noiva, a igreja – um “grande mistério” que todo crente, casado ou solteiro, pode antever no novo céu e na nova terra. E, contudo, a porneia – a abrangente palavra grega para a imoralidade sexual – representa qualquer afastamento da união marital entre homem e mulher.

Por que a Escritura é aparentemente tão liberal com respeito ao sexo dentro do casamento heterossexual, mas tão limitadora para qualquer outro cenário? Tim Keller diz que isso é porque o sexo é a mais prazerosa e a mais perigosa de todas as faculdades humanas. O sexo se parece muito com o fogo. Pode aquecer, confortar e purificar. Mas, se não for manejado com cuidado, pode também queimar, infectar, escoriar e destruir. Eu vi isso acontecer em inúmeras situações pastorais ao longo dos anos. “Há caminho que ao homem parece direito”, diz o provérbio sagrado, “mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Provérbios 14.12).

Sendo assim, qual é o caminho reto nesta questão? Pretendo propor algo fora da caixa. E se nós cristãos, especialmente aqueles de nós que desejam ser sal e luz na cultura, mas que ainda afirmam a antiga visão judaico-cristã para o sexo, ficássemos mais preocupados com a ética sexual bíblica “aqui dentro” do que com aquela “lá fora”?

A sábia e fascinante Madeleine L’Engle nos ajuda com o seu lembrete de que “nós conduzimos pessoas a Cristo […] ao lhes mostrarmos uma luz tão encantadora que elas desejarão, de todo o coração, conhecer a sua fonte”.

A proclamação da luz será um tiro pela culatra onde não houver a demonstração da luz. Em vez de condenar o “sexo na cidade”, e se voltássemos a nossa atenção para sermos e nos tornarmos a “cidade edificada sobre um monte” a qual Jesus deseja que sejamos?

E se afirmássemos que ser solteiro e sexualmente casto (como Paulo e Jesus) é um chamado nobre, frutífero e “muito melhor”? E se começássemos a nos arrepender da casamentolatria, voltando a nossa ênfase para aquele casamento do qual todos os outros são apenas sombra – a união mística entre Jesus e a Noiva, a qual inclui os todos os crentes, maridos e mulheres, mas também viúvos e viúvas, divorciados e outros homens e mulheres não casados? E se focarmos em redimir a sexualidade na igreja primeiro, arrependendo-nos da pornografia, das piadas vulgares, dos comportamentos e vestes imodestos e outros hábitos que objetificam a imagem de Deus? E se nos tornarmos intencionais em reduzir o número de divórcios nos casos em que não há fundamento bíblico e nutrirmos o amor, as conversas demoradas, o andar de mãos dadas, a fidelidade, o perdão, o viver face a face (em intimidade) e também lado a lado (em missão) dentro dos casamentos?

Pois, a menos e até que nos tornemos esse tipo de comunidade contracultural entre nós mesmos, as pessoas “lá fora” farão ouvidos de mercador para todo o nosso zelo pela castidade bíblica. E com razão.

[1] N.T.: Divórcio sem investigação de culpa (no-fault divorce) se refere à possibilidade jurídica de um cônjuge requerer a dissolução do casamento sem precisar alegar a violação de um dever conjugal (por exemplo, os deveres de fidelidade ou de coabitação) da outra parte. Embora sejam comuns atualmente, legislações que permitem o divórcio sem investigação surgiram no Ocidente apenas na década de 1960.